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Inversão dos polos magnéticos pode ser catastrófica, diz estudo

Uma grande reversão dos polos magnéticos da Terra, ocorrida há 42 mil anos, pode ter causado uma catástrofe climática global semelhante às apresentadas nos roteiros de filmes de desastre de Hollywood. É o que sugere um estudo conduzido por cientistas de vários países, publicado na revista Science na última sexta-feira (19).

De acordo com os pesquisadores, a extinção da megafauna da Austrália, a expansão do manto de gelo na América do Norte, o desaparecimento dos últimos neandertais e a destruição quase por completo da camada de ozônio são alguns dos eventos relacionados ao enfraquecimento do campo magnético terrestre registrado na época.

Responsável por proteger o planeta da radiação cósmica, o campo magnético se enfraqueceu há cerca de 42 mil anos, durante a inversão dos polos, deixando a Terra sem a sua defesa contra a radiação vinda do espaço. Tal migração de polos ficou conhecida como a Excursão Laschamps.

ImagemO planeta pode ter passado por grandes mudanças na última reversão dos polos magnéticos.


Este evento já era conhecido pelos cientistas, mas não se sabia quais os impactos provocados por ele. Com a nova investigação, foi possível reunir evidências de que os efeitos da reversão geomagnética foram "apocalípticos", conforme o artigo, trazendo consequências para todo o planeta e de longa duração.

Como uma árvore milenar ajudou no estudo

A investigação teve como base o tronco de uma árvore kauri de milhares de anos, retirado do fundo de um pântano na Nova Zelândia, onde estava preservado. Com mais de 2,5 metros de diâmetro, ele possui uma marca do tempo em cada um de seus anéis, armazenando informações importantes.

Com a análise dos anéis, os cientistas foram capazes de criar uma escala do tempo detalhada sobre as mudanças na atmosfera terrestre naquele período, acompanhando o aumento dos níveis de radiocarbono atmosférico, medindo e datando os impactos das mudanças nos polos magnéticos.

ImagemO tronco de árvore kauri foi essencial para o estudo.


"Assim que descobrimos o momento exato do registro das árvores kauri pudemos ver que coincidia perfeitamente com os registros de mudanças climáticas e biológicas em todo o mundo", comentou o professor do Departamento de Geologia da Universidade de Otago Alan Cooper, principal autor do estudo.

Entre os eventos relatados por Cooper estão a extinção de animais como cangurus gigantes e wombats gigantes na Austrália, o sumiço dos neandertais na Europa e uma enorme camada de gelo avançando pela região leste dos EUA. Estas e outras situações teriam sido aceleradas pelas mudanças nos ecossistemas causadas pela Excursão Laschamps.

Protegendo-se nas cavernas

O passo seguinte foi usar um programa de simulação climática para testar o que teria causado as mudanças na temperatura e levado às extinções. Os pesquisadores descobriram que o campo magnético provavelmente estava com apenas 6% da sua força no período, deixando a vida na Terra exposta a inúmeros perigos.

Estas condições levaram a uma forte degradação da camada de ozônio, possibilitando a entrada de raios ultravioletas em níveis sem precedentes, alterando a absorção da energia do Sol pela atmosfera. Além disso, pode ter resultado em auroras brilhantes por todo o planeta, deixando as noites tão claras quanto o dia.

ImagemAs pinturas rupestres surgiram no mesmo período das mudanças no clima.


A pesquisa sugere ainda que todas essas alterações nas condições do tempo fizeram os humanos usar minerais sob a pele para bloquear os raios UV e procurar abrigo em cavernas, pois na mesma época surgiram as primeiras pinturas rupestres em diferentes partes do planeta.

Como não se sabe quando ocorrerá a próxima reversão do campo magnético, o estudo ajuda a entender melhor quais são os possíveis impactos desse tipo de fenômeno, que tem capacidade para gerar mudanças ambientais em escala global.

Fonte: Tecmundo

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25 Fev, 2021 - 00:00

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