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Hi-Fi Rush — uma bela surpresa na hora certa

Hi-Fi Rush é um presente musical do produtor Shinji Mikami, que pela 1.ª vez em quase uma década, lançou um game que não é de terror

Segundo, a aventura de Chai e cia. veio "do nada": o game foi lançado no dia de seu anúncio oficial, e não teve o hype gerado ao redor de produções reveladas muito antes de suas chegadas às lojas, digitais ou físicas. A excelente recepção teve um sabor nostálgico extra, em que todos foram jogados de para-quedas em um jogo que ninguém sabia que existia, até uma semana atrás.

Claro, nada disso seria válido se Hi-Fi Rush não fosse um jogo bom, e de fato não é. Ele é excelente, e muito divertido.



Rage Against the Machine

A história de Hi-Fi Rush gira ao redor de Chai, um jovem de 25 anos que largou a escola para virar um astro do rock, mesmo não tendo nenhum talento musical, e ser um PCD, devido seu braço direito incapacitado (por que, não é explicado). Para mudar isso, ele se inscreve em um programa de uma companhia gigantesca, a Vandelay Technologies, que oferece próteses cibernéticas a todos os interessados.

Chai recebe um novo braço que, originalmente, classifica o protagonista como um coletor de lixo, só que durante o processo, ele acaba fundido acidentalmente a seu tocador de música digital, que vira seu segundo coração, ou algo assim.

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Conectado ao braço cibernético, o gadget permite a Chai "sentir a batida" do mundo ao seu redor, e reagir a ele, e seu coletor de lixo magnético cria uma arma de combate a curto alcance, na forma de uma guitarra. A Vandelay o classifica como um "defeito" e o marca para eliminação, no que a companhia não pode admitir erros.

Claro, Chai descobre que a Megacorporação do Mal, presidida pelo tech bro Kale Vandelay, quer usar os jovens melhorados em um esquema de dominação global, através das próteses. Assim, ele se alia à hacker Peppermint e sua gatinha robótica 808, Macaron, ex-diretor de P&D da Vandelay, o robô CNMN (lê-se "cinnamon"), e posteriormente Korsica, a chefe de segurança, para desbaratar os planos da Vandelay, e fazer uma sonzeira no processo.

A jogabilidade de Hi-Fi Rush remete a títulos mais simples de gerações passadas, e sua identidade faz lembra os games do Dreamcast, como Jet Set Radio, mas há inúmeros pontos originais. O primeiro e principal, este é um jogo de plataforma/hack and slack rítmico, similar a outros como Metal: Hellsinger e Crypt of the NecroDancer, mas na sua própria pegada.

Born to Rock

Todas as ações no game são ritmadas, do combate à exploração. Puzzles são resolvidos apertando os botões de ação no momento certo, e você causa mais dano a inimigos se acertar um timing perfeito ao concluir um combo, o chamado "batidão".

Para ajudar o jogador, tudo no mundo de Hi-Fi Rush pulsa ao ritmo da música, dos elementos no cenário aos ataques dos inimigos, as animações do Chai (passos, estalar de dedos) e da companion 808, e é possível ligar um auxílio visual, na forma de uma barra de pulsos na parte inferior da tela.

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Seus aliados também podem oferecer ajuda em vários momentos. Peppermint pode atingir alvos distantes com sua arma, ou quebrar escudos de energia durante o combate, Macaron consegue destruir barreiras especiais, no cenário e dos inimigos, e Korsica sobrecarrega geradores e apaga chamas para abrir novos caminhos, ou para anular ataques de inimigos flamejantes.

Os companheiros de Chai também podem ser chamados para finalizar combos ao toque de um botão, ao custo de parte da barra especial, mas de novo, tudo deve ser feito no timing para conectar; quem está acostumado a esmurrar botões vai sair frustrado de Hi-Fi Rush, embora a janela de acerto varie conforme a dificuldade selecionada.

Durante o combate, alguns inimigos e chefes também podem ativar um Quick Time Event, que exige respostas rápidas para defender e/ou esquivar, e ao final, contra-atacar com um golpe finalizador.

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Em geral, apertar os botões no momento certo rende mais pontos, que podem ser usados nas lojas do lobby para comprar combos, especiais, golpes com aliados, chips para melhoras atributos, itens para expandir as barras de energia e especial, e após completar o game, diversos visuais extras para todos.

Be excellent with each other

Hi-Fi Rush tomou o mercado de games de assalto, ao ser revelado E lançado no mesmo dia pela Tango Gameworks, o estúdio do produtor japonês Shinji Mikami, por muito tempo o cérebro por trás da franquia Resident Evil, do tempo que trabalhou na Capcom.

Fundada em março de 2010, a desenvolvedora foi comprada em outubro do mesmo ano pela ZeniMax Media, após meses de dificuldades financeiras. Em 2014, Mikami apresentou The Evil Within, um novo Survival Horror que recebeu uma sequência em 2017, e em 2022, lançou GhostWire: Tokyo, uma aventura em 1.ª pessoa também calcada no horror e sobrenatural.

No mesmo ano, Mikami expressou que estava disposto a tirar da Tango Gameworks, e dele próprio, da pecha de "estúdio/produtor que faz sempre a mesma coisa", e a primeira empreitada nesse sentido foi Hero Dice, um jogo mobile de estratégia que durou apenas 5 meses. Exatamente por isso, ninguém esperava que o estúdio conseguiria se distanciar do gênero que o estabeleceu no mercado.

No fim, estávamos todos errados.

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Segundo o diretor John Johanas, o desenvolvimento de Hi-Fi Rush começou em 2017, logo após o lançamento de The Evil Within 2 e anos antes da compra da ZeniMax Media pela Microsoft, e vinha sendo tocado em absoluto sigilo desde então. De qualquer forma, a Tango Gameworks provou conseguir variar seus temas, como demostrou que um game, quando bem executado, não necessariamente precisa de uma longa campanha de marketing focada no hype, entre a revelação e o lançamento, para ser bem-sucedido.

Claro, não dá para ignorar o papel do Game Pass da Microsoft nisso, em que os assinantes das modalidades para PC e consoles Xbox tiveram acesso imediato ao game, sem custos adicionais, mas se Hi-Fi Rush não fosse bom, o público passaria ao largo dele, e a crítica especializada desceria o malho com vontade. Não foi o caso, em ambas situações.

Para o público, especialmente jogadores mais velhos, o lançamento de Hi-Fi Rush teve um sabor nostálgico, de uma época em que só ficávamos sabendo de novos games ao irmos às lojas e locadoras, até porque as revistas "especializadas" de então vinham atochadas de erros.

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A jogabilidade é sólida, a trama é interessante, todos os personagens esbanjam carisma, independente das opções de linguagem (há dublagens em inglês, japonês e português brasileiro, em um excelente trabalho de localização), e o visual é estonteante, um anime jogável que mais uma vez, mostra que a Unreal Engine ainda tem muita lenha para queimar.

Mas claro, por se tratar de um jogo com forte pegada no ritmo, a música é o coração de Hi-Fi Rush, e a trilha sonora não decepciona, contando com excelentes temas originais e canções escolhidas a dedo, com músicos do quilate de Nine Inch Nails, The Prodigy, The Black Keys, e The Joy Formidable, além de pérolas como a banda japonesa Number Girl, e o finado projeto musical Zwan, do líder do Smashing Pumpinks Billy Corgan.

Garage Days

Claro que um jogo bem-humorado como Hi-Fi Rush é recheado de referências e easter eggs, dos mais variados tipos. Há desde citações a The Evil Within, em que há dois dróides que são versões de Sebastian Castellanos e Joseph Oda, a algumas situações que remetem à franquia Resident Evil, o que era inevitável.

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Há algumas referências bem óbvias, como painéis e personagens que usam os clássicos maneirismos do mangaká Hirohiko Araki, tirados de JoJo's Bizarre Adventure, e o visual e descrição de personagem de Chai, baseados em Scott Pilgrim, que podem ser percebidos de cara.

Outras são bem mais obscuras, como uma cena que é um rip-off de Twin Peaks, e a da imagem abaixo, uma sacaneada com o processo de desenvolvimento de Xenogears, um JRPG da Squaresoft que, por limitações de tempo e inexperiência do time de desenvolvedores, acabou com a quase totalidade da segunda metade do game reduzida a cutscenes não-interativas, na forma de narrações em texto e cenas pré-renderizadas.

O momento abaixo cita a "remoção" de uma sequência de batalha inteira, no que Chai comenta que "nunca mais falaremos dela", para coroar a piada.

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Como pontos baixos, podemos citar que Hi-Fi Rush é bem linear, com poucas opções de exploração, e sessões obviamente delimitadas entre exploração e combate; apenas ao terminar o game pela primeira vez, o jogador terá mais opções, como seleção de fase e novas áreas, um novo modo chamado Torre Rítmica, e desafios extras ao completar a aventura em dificuldades superiores, ou sempre com ranking S, o que é bem difícil.

Don't Look Back

Hi-Fi Rush é ema experiência única e uma agradável surpresa, em tempos de adiamentos e longos períodos de desenvolvimento de games esperados. A estratégia da Bethesda para o novo título da Tango Gameworks se pagou maravilhosamente bem, e já na primeira semana, deixou Forspoken, lançado simultaneamente, comendo poeira.

Claro que o mérito é todo da equipe do estúdio, que entregaram um game rítmico divertido e gostoso de jogar, que oferece bastante conteúdo em replay, e ao mesmo tempo, é um deleite musical.

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Pode ser que Hi-Fi Rush não leve para casa o título de melhor game de 2023, mas ele merece ser aclamado como a mais gratificante surpresa do ano, tanto por seu lançamento imediato inesperado, quanto pela sua alta qualidade, mostrando que nem só de horror vivem Shinji Mikami e a Tango Gameworks.

É uma pena que situações como esta sejam raras; eu adoraria que se tornassem mais frequentes.

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Hi-Fi Rush — Ficha Técnica

Plataformas — Xbox Series X|S e Windows (analisado no Xbox Series X);

Desenvolvedora — Tango Gameworks;

Distribuidora — Bethesda Softworks;

Classificação Indicativa — 12 anos.

Pontos fortes:

Criminosamente divertido, ao estilo de games das antigas;

Trilha sonora inspiradíssima;

Alto fator replay.

Ponto fraco:

Bem linear, com opções limitadas de exploração.

Fonte: Meiobit

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03 Fev, 2023 - 07:40

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