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Análise de Artful Escape é uma jornada de autodescoberta em som e luz

Artful Scape é um jogo de plataforma publicado esse ano pela Annapurna Interactive, trazendo uma arte e história um tanto quanto diferente de outros jogos lançados esse ano. Vou tentar explicar alguns detalhes que notei ao jogá-lo e que seriam interessante das pessoas saberem antes de iniciá-lo.



Iniciando pela história, ela realmente é o foco central do jogo e até leva o jogador a uma reflexão séria sobre um problema comum da vida das pessoas, o qual muitos podem ter passado ou ainda passam. Artful Scape aborda a história de Francis Vendetti, um musicista que trabalha com músicas do gênero folk graças ao seu famoso tio, Johnson Vendetti. Apesar disso, ele parece se interessar mais pelo próprio estilo musical do que pelo gênero que foi imposto para ele, tornando-se um problema que ele guarda para si mesmo durante muito tempo.

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A partir disso o jogo trabalha essa crise do personagem de forma "fantástica", ou seja, com elementos sobrenaturais (eu diria bem estranhos) e com vários pontos reflexivos em diversos momentos. Isso não atrapalha a narrativa em si e faz com que o jogo aborde a história, música e arte de uma maneira muito mais legal de se apreciar.

Já que mencionei a forma "fantástica" do jogo, ela se trata de um universo inteiro com diversas criaturas e ambientes totalmente únicos e especiais. Quando o personagem se encontra nesses ambientes, o jogo deixa de se tratar em apenas andar e conversar para incluir mecânicas de plataforma e de sequência de botões, no caso dos duelos/duetos musicais.

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A mecânica de plataforma é extremamente simples e o mais interessante dela é que você interage com o cenário através da música, sendo que ao mesmo tempo tenta não cair nos abismos. Cada cenário é único, até mesmo em como ele se transforma quando a música é tocada pelo Francis Vendetti, tornando a experiência muito mais artística do que desafiadora.

Já a parte de duelos/duetos com outros personagens do jogo é uma parte simples mas interessante e bem bonita para se prosseguir no jogo. Ela pode ser resumida em basicamente apertar os botões na sequência que o adversário/parceiro apertou, assim gerando a música e aprovação para etapas futuras do jogo. O final do jogo é de longe a melhor e mais bonita parte nesse quesito, pois foi lá onde eles realmente capricharam na música e nos visuais do show, deixando a experiência final sensacional.

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Como deu a entender pela explicação acima, essas duas mecânicas centrais do jogo são extremamente focadas na arte em si ao invés da ação ou dificuldade. Entretanto notei um problema que, apesar delas serem até bem feitas, a evolução dessas mecânicas é praticamente nula. Por exemplo na parte de plataforma, a primeira vez que o jogador experimenta essa mecânica será a mesma experiência encontrada no final do jogo, sem qualquer mudança significativa na jogabilidade. O mesmo acontece com os duelos/duetos, pois a única mudança que acontece do início do jogo para o final é a dificuldade na sequência dos botões, sendo que poderiam ter incluído diversos elementos para sempre trazer a sensação de novidade e progressão para o jogador. O jogo até tenta criar algumas mudanças, como mudar o estilo de roupas, mas isso acaba sendo muito mais frustrante porque é praticamente inútil no jogo e não traz nenhum tipo de recompensa.

Como já mencionei, a arte e música do jogo são fenomenais. Foi um trabalho realmente incrível de como eles conseguiram mesclar a música com a interação do cenários, entregando um jogo muito bonito e chamativo nesse aspecto. Esse foi um dos motivos que me fez querer jogá-lo e posso garantir que esse motivo estava certo, pois Artful Escape faz isso muito bem.

Abordando o lado dos personagens, eles são bem interessantes e principalmente com personalidades únicas, ficando claro desde o início o que se pode esperar dele a partir de como ele fala, se comporta e toca. Isso acaba facilitando muito o interesse não só por conhecer mais personagens mas também abre mais interesse para a própria história de Francis Vendetti.

Um ponto negativo da história é que ela poderia ser melhor trabalhada. Mesmo conseguindo mostrar o básico para se entender o contexto como um todo, como o jogo é focado estritamente na história e arte, e tendo uma jogabilidade medíocre, o jogo deveria ter algo a mais para suprir as outras partes e assim chamar mais a atenção do jogador.

Além do problema anterior, a história tem um ritmo muito lento, sendo que somente depois de mais ou menos 1 hora o jogador consegue jogar e compreender completamente o contexto. Isso se torna um problema porque o jogo tem apenas 3 horas de duração, então senti que foi meio complicado aturar o ritmo lento e confuso para no fim o conteúdo ser tão simples. Isso atrapalha muito também na questão da jogabilidade, porque nessa primeira hora se trata apenas de ouvir a história e as 2 horas restantes são entregues uma mistura da mesma coisa somada com um pouco de jogabilidade.

Outro ponto negativo que encontrei foi na questão da adaptação para a linguagem neutra dos personagens, o que não é natural para a língua portuguesa e acaba deixando estranha a interação em diversos momentos do jogo.

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Resumindo, Artful Escape é focado para jogadores que querem apreciar uma boa arte e música, sem se preocupar com mecânicas complexas ou qualquer tipo de dificuldade. Ele possui diversos defeitos como falta de evolução das mecânicas, história arrastada e linguagem neutra usada, mas podem ser problemas que são possíveis de se relevar pelo conteúdo final entregue. No fim, só precisam saber que esse jogo é bem mais tranquilo do que a maioria dos jogos comuns, tendo o foco em seu conteúdo audiovisual.

Disponível nas plataformas: Xbox One, Xbox Series X|S e PC.

Fonte: Youtube

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06 Out, 2021 - 19:34

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