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Crítica: a imprensa apoia ou inibe?



Se você lê jornais e assiste ao noticiário televisivo, e além disso leva em conta os comentários dos especialistas em generalidades que proliferam nas emissoras de rádio e acompanha sofregamente tudo que circula nas redes sociais digitais, pode estar certo de que você está incurso no arco de seres humanos que estão sendo estudados pelos especialistas em comunicação de algumas das melhores universidades do mundo. Esse espectro vai do indivíduo profundamente elaborado, que é capaz de filosofar sobre o mundo midiatizado, ao perfeito midiota.

O contexto teórico considerado por esses estudiosos tem como objeto o que em língua inglesa se chama "media literacy" e que, em português, é chamado, principalmente no núcleo de estudos específicos da Universidade de São Paulo, como Educomunicação. Trata, como se pode depreender, de uma educação especial que habilita o indivíduo a entender o conteúdo da mídia e formular sua própria opinião a respeito dos assuntos abordados. O pressuposto de tal disciplina é que a mídia tem uma função social que vai muito além da tecnologia e dos recursos financeiros usados para fazer com que aconteça a comunicação.

O professor Thomas Bauer, responsável pela cadeira de Cultura da Mídia e Educação pela Mídia na Universidade de Viena, observa que essa função dos meios deve extrapolar o conceito de troca de informações passando por um filtro (mediação), para o propósito de contribuir para a construção de uma ordem social baseada na diversidade. Além de balizar a organização da ordem social, juntamente com outras instituições e entidades formais ou informais, a mídia deve participar das negociações entre os indivíduos, isoladamente ou em grupos, e entre si, para que se obtenha uma sociedade sustentável.

Uma proposta de educação que considere o papel da mídia como tal deve, segundo Bauer, apontar para a conquista da competência de distinção do significado de diferentes situações, em termos de ética, estética e benefício potencial. Numa circunstância ideal, a sociedade sustentável conta com pessoas capazes e responsáveis pelo uso da mídia como meio de comunicação e conexão social, e não apenas como clientes a serem convencidos disto ou daquilo.

Uns e outros

Como no "vidiota" do romance de Jerzy Kosinski que inspirou o filme intitulado Muito além do jardim, a intensa exposição à mídia, sem o contraponto do senso crítico, pode ser uma prática perigosa. O indivíduo habilitado para interpretar a narrativa e o discurso propostos pela mídia nesse papel é também capaz de questionar o sentido que a mídia propõe para os acontecimentos do cotidiano.

Um grande contingente de cidadãos em condições de distinguir os vários significados das situações que a imprensa lhes apresenta será mais senhor de seu destino e se tornará menos vulnerável a discursos manipuladores e demagógicos.

O dilema está no fato de que esse benefício depende em grande parte de uma determinação da mídia hegemônica de usar seus recursos eticamente e com grande empenho estético. O problema se complica quando a própria imprensa faz escolhas contrárias à ética, esteticamente inadequadas e fora do propósito do bem, com o objetivo de usar a conectividade social que lhe é atribuída para arregimentar adeptos a um modo de vida simbólico que contraria o interesse coletivo.

Claro que tudo isso pressupõe a existência de interesses coletivos em meio a idiossincrasias individuais, mas o problema se resolve com a observação segundo a qual a sociedade se forma por meio da comunicação, produtora de sentido – portanto, criadora de cultura.

Uma maneira simples de avaliar se determinado meio contribui para este ou aquele tipo de sociedade é observar se suas mensagens estimulam, por exemplo, uma cultura de paz ou a violência; se propõe uma visão tolerante das diferenças ou se investe no confronto.

É da modernidade supor que o indivíduo se torna responsável por suas escolhas, ou, em outra acepção, no uso de suas vontades fortes ou fracas. Portanto, parte da responsabilidade pelo que se processa no ecossistema midiático compete à mídia, mas o arbítrio ainda é do cidadão.

Quando dizemos que "você nunca mais vai ler jornal do mesmo jeito", estamos apostando que, exercitando a observação crítica da imprensa, o indivíduo se educa para a mídia. Essa distinção de habilidades é o que faz, de uns, midialiteratos e, de outros, no ponto extremo do que acreditam em tudo que leem, midiotas.

Fonte: Observatoriodaimprensa

Comentários

12 Mar, 2015 - 20:36

1305 Views

Comentários

punkrock 13 Mar, 2015 09:11 -1

bielzin94 escreveu:Moleque roubaram 80 bilhões DIRETAMENTE de cofres públicos e você vem falar de sonegação de impostos do HSBC? Tu tá de sacanagem, ambos tem dimensões extremamente diferentes, Quer comparar um rato em cima de você e um elefante, não foi o dólar que aumentou, pq aumentaram todas as outras moedas, foi o REAL QUE DESVALORIZOU e sinto te informar, isso foi por causa do maior roubo de empresa pública da história DO MUNDO e não por sonegação de impostos que está sim nos jornais e rádios e estão sim investigando, vai chorar pra Dilmamãe longe, moleque!

Um único motivo não derruba a moeda dessa forma. Sem tomar partido de uma ou outra tese, existe muitos fatores que determinam o valor do Real. Sendo a Petrobras a maior empresa brasileira, influencia bastante, mas essa é meramente uma dificuldade que ela vai passar e superar. Não é como se a empresa estivesse falida.

RVT_evilpunk 13 Mar, 2015 08:09 0

Se a imprensa mente e manipula e por isso que o Lula foi discursar entre os aliados a uns poucos dias atras na Associação Brasileira de Imprensa ? Cometendo ate a idiotice de chamar o "exrcito do MST" pra ruas, pra todos "verem do que sao capazes"?

Ta explicado entao pq PT sabe manipular tao bem, eles como ferramenta nada mais, nada menos que a ABI - Associacao Brasileira de Imprensa. Ainda bem q alguns poucos meios de comunicao ainda resistem a essa manipulacao preparda.

bielzin94 12 Mar, 2015 23:43 8

Moleque roubaram 80 bilhões DIRETAMENTE de cofres públicos e você vem falar de sonegação de impostos do HSBC? Tu tá de sacanagem, ambos tem dimensões extremamente diferentes, Quer comparar um rato em cima de você e um elefante, não foi o dólar que aumentou, pq aumentaram todas as outras moedas, foi o REAL QUE DESVALORIZOU e sinto te informar, isso foi por causa do maior roubo de empresa pública da história DO MUNDO e não por sonegação de impostos que está sim nos jornais e rádios e estão sim investigando, vai chorar pra Dilmamãe longe, moleque!

gustavomoraes 12 Mar, 2015 22:00 -4

Quem aqui está sabendo de um dos maiores escândalos de corrupção internacional da atualidade: a lavagem de dinheiro no banco HSBC da Suíça? Não sabem? Deve ser porque a família Marinho, a mais rica do país e dona da Rede Globo é uma das principais beneficiárias desse esquema. Isso sem contar os quase 1 bilhão que sonegaram aqui no Brasil. É meus senhores, a manipulação começa na escolha do que vai ser noticiado. Se vocês acham que vendo tv e ouvindo rádio estão bem informados, sinto muito.

stallker 12 Mar, 2015 20:53 0

Será que a emprensa é boazinha e o governo é o unico malvado da historia, ou os dois realmente tem culpa no cartorio?
veremos no proximo episodio de "Dilma e os PTralhas" ...
Zueras a parte, mas mano será q resta duvidas? claro que a midia só mostra o que fica por cima dos panos...