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Análise de de Tribo Gamer

Metroid Dread

Primeiro jogo de Samus Aran no Switch revigora a franquia com tensão e alta velocidade

Demorou quase 20 anos, mas enfim a série Metroid ganhou um novo episódio 2D, resgatando a essência do gênero que se popularizou nos últimos anos graças a uma avalanche de jogos indie de altíssima qualidade, como Hollow Knight, Ori and The Blind Forest e Dead Cells.

Justamente por isso, a empolgação pelo anúncio de Metroid Dread veio acompanhada de muita expectativa: será que a Nintendo conseguiria revitalizar a série a ponto de bater de frente com a nova geração de Metroidvanias?



A resposta para isso começa em Metroid: Samus Returns, game para o portátil 3DS lançado em 2017 que é um remake de Metroid II, aventura pouco inspirada lançada em 1991 para o velho Game Boy tijolão. Desenvolvido pelo estúdio espanhol Mercury Steam, mesma equipe dos três jogos Castlevania: Lords of Shadow, o título trouxe gráficos renovados e uma jogabilidade refinada e diversificada, com opção de mira livre para os tiros, golpes corpo a corpo e habilidades especiais inéditas.

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De maneira geral, Samus Returns tornou toda a experiência de Metroid mais ágil e a própria Mercury Steam repete a dose com mais intensidade em Dread. A nova aventura de Samus Aran é um título que honra o próprio legado, mas em alta velocidade – e com muita tensão.

Além de turbinar aquilo que já foi feito em Samus Returns, o jogo atual adiciona um clima constante de medo e perigo, especialmente pela inclusão dos E.M.M.I., robôs habilidosos que caçam nossa heroína de forma implacável em muitas partes do gigantesco mapa. Para fugir, é necessário reflexos rápidos e paciência, já que em alguns momentos a única solução é recorrer à nova habilidade de invisibilidade e deixar a protagonista quietinha enquanto o robô "fareja" e vai embora.

Inesperado fim de uma saga

A história de Metroid Dread continua diretamente a trama de Fusion, de 2002, do Game Boy Advance. Depois de, aparentemente, colocar um fim de uma vez por todas aos Metroids e ao parasita X, um misterioso vídeo aparece mostrando um X vivo, livre, leve e solto no planeta ZDR.

Samus é escalada para investigar a situação, tanto por já ter lidado com as criaturas, mas também por ser imune a elas graças ao DNA de Metroid que possui no corpo, injetado pela vacina que salvou a vida da caçadora de recompensas no comecinho de Fusion.

Ao chegar em ZDR, Samus é atacada por um inesperado guerreiro Chozo, membro da raça de alienígenas similares a pássaros que criou Samus desde criança, ensinou todas as habilidades que ela sabe e até deu a armadura Power Suit para ela. No embate, Samus perde a luta e também muitos de seus principais poderes. Pior: ela foi levada ao interior de ZDR e precisa começar uma fuga desenfreada para sobreviver, sair do planeta e, de quebra, tentar resolver a treta do parasita X.

Apesar da narrativa intensa no começo da jornada, o resto do jogo segue mais ao estilo clássico de Metroid, deixando a pessoa que joga solta pelo mapa para explorar como quiser, se perder, voltar para onde já passou para usar novas habilidades adquiridas e assim por diante. Uma leve herança de Fusion são alguns checkpoints em salas com um grande computador que faz um resumo de eventos recentes e aponta o próximo objetivo. Não é algo tão guiado como no cartucho de GBA, mas também não é uma experiência totalmente solitária como Super Metroid.

Na reta final a carga narrativa volta ao primeiro plano e muita coisa acontece, inclusive fazendo jus ao fato do game ser oficialmente o Metroid 5 e, como divulgado pela Nintendo, ser o final de uma saga que não sabíamos que se desdobrava desde o primeiro Metroid.

Nesse ponto, é uma pena que Metroid Dread não esteja em português. Pessoalmente, sinto que a situação fica ainda mais absurda por dois fatos: primeiro que o nome da heroína Samus Aran é uma referência ao clássico jogador de futebol Pelé, que se chama Edson Arantes do Nascimento; mas também pois neste mesmo mês de outubro sai o primeiro jogo da Nintendo em português do Brasil para Switch, que é a coletânea de minigames Mario Party: Superstars.

Claro que fico feliz pela novidade, mas veria mais sentido e utilidade em Metroid ser localizado para o nosso idioma, não o Mario Party novo. Na minha opinião, a série estrelada por Samus e os fãs brasileiros mereciam mais carinho neste momento tão empolgante de celebração da franquia.

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Quando o assunto é controlar a heroína, Metroid Dread é um deleite. Ela é ágil nos pulos e tiros e cada nova habilidade conquistada abre opções cada vez mais variadas e poderosas para enfrentar os inimigos e interagir com os cenários. Poderes clássicos estão de volta com novos truques, como a opção de mirar vários mísseis ao mesmo tempo, enquanto novas skills sopram um ar de novidade.

Mais uma vez é possível usar ataques corpo a corpo contra inimigos, mas a necessidade é muito menos constante do que em Samus Returns. Fica mais como uma opção para lidar com inimigos e ganha espaço de destaque nos duelos contra chefes quando, aí assim, os golpes melee são essenciais. Aliás, esses encontros são sempre marcantes e desafiantes, especialmente o chefão final, capaz de causar várias derrotas e tomar um bom tempo mesmo das pessoas mais dedicadas.

Um destaque é o Phantom Cloak, que permite a Samus ficar invisível e é especialmente útil para fugir dos robôs E.M.M.I., mas tira muito da mobilidade da heroína. A tensão que isso traz garante ainda mais brilho aos trechos de perseguição dos robôs, grande novidade e principal diferencial de Dread em relação aos outros episódios da série e até mesmo dentre os Metroidvanias.

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O ritmo das melhorias são constantes e mantêm o clima de fuga perigosa que envolve as cerca de 8 horas para terminar Metroid Dread em uma primeira jogada. Ainda assim, o design do novo título parece muito mais focado mesmo em construir em cima do legado da franquia e não olha tanto para o que a concorrência fez nos últimos anos. Isso vale até para os tímidos extras, que oferecem uma versão mais difícil da aventura e algumas imagens e arquivos para desbloquear e celebrar a série, mas nada muito além disso.

Em certos momentos parece tentador que houvesse mais opções de teletransporte, por exemplo, para agilizar a navegação pelo mapa e evitar tanto voltar a partes já visitadas, o famoso backtracking, mas talvez abrir mão disso tirasse demais da essência de Metroid. Afinal, ainda se trata de uma nova iteração de um formato que ficou dormente por quase duas décadas e parece mesmo mais seguro apostar em algo um pouco mais tradicional do que ousar demais.

Isso sem contar que o bem vindo verniz gráfico proporcionado pelo hardware do Nintendo Switch também traz um contraste absoluto, seja em comparação com Fusion do GBA ou Samus Returns do 3DS – ou até mesmo com Super Metroid, última jornada 2D de Samus em um console caseiro, no distante ano de 1994 no Super NES.

Apesar do design elegante das armaduras de Samus e de muitos dos chefões, Metroid Dread sofre de outro problema que a Mercury Steam sofreu no 3DS que é falta de variedade nos ambientes. O planeta ZDR é basicamente uma grande fábrica com ambientes temáticos, seguindo a mesma fórmula dos games anteriores: tem o ‘mundo’ de lava, o de gelo, o de floresta… só que todos parecem só variações do tema central de fábrica, com muitas estruturas de metal ao redor.

Para ser bem sincero, não que isso seja um problema e de maneira alguma atrapalha a diversão e exploração, mas no passado já vimos a série fazer melhor. Super Metroid, por exemplo, é uma aula de como conferir características únicas às várias partes do planeta explorado.

Tenho o mesmo sentimento com relação à trilha sonora. O trabalho é super competente e envolvente, mas longe de ser marcante. Os momentos mais empolgantes são quando se percebe o resgate de algum tema do passado, que ganha reforço dessa carga de nostalgia.



Tradicional, mas competente


Metroid Dread é uma aventura incrível que constrói de forma muito consciente sobre os sucessos do passado, mas não se prende a eles nem mesmo a ideias apresentadas por outros Metroidvanias dos últimos anos.

O ritmo é frenético delicioso, os controles respondem de forma envolvente, o visual empolga e a inclusão dos E.M.M.I.s é genial, oferecendo uma grande e tensa novidade dentro da série e embalando perfeitamente o impressionante e complexo final dessa saga principal de Metroid, desenrolada ao longo de cinco jogos.

Na comparação com games recentes do gênero pode pesar a falta de novidades mais robustas na jogabilidade ou até mesmo uma campanha mais extensa e também acho uma grande falha o jogo não ter ao menos legendas em português do Brasil, mas não há como negar que Dread honra a história da franquia e abre caminho para, um dia, mergulharmos novamente na vertente 3D da franquia com o prometido Metroid Prime 4.

Fonte: Jovemnerd

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12 Out, 2021 - 17:08

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