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Análise de Football Manager 2018 de IGN

Football Manager 2019 - Há de aprender a conviver com o insucesso.

Novembro é sempre um mês de grande antecipação para os fãs do desporto Rei, mais concretamente do incontornável simulador de treinadores de futebol, Football Manager. Se nos últimos anos a Sports Interactive tem apresentado apenas pequenas alterações incrementais à sua franquia rainha, a versão 2019 é das mais interessantes dos últimos anos.

Longe vão os tempos onde conseguia sentar-me em frente ao PC durante horas a fio e fazer saves que duravam dezenas de épocas, até chegar aquela altura em que até a mais jovem promessa da atualidade se retirava do futebol depois de uma longa carreira. Posso atribuir esta falta de interesse, ou motivação, ao fato de cada vez estar mais desligado do futebol, à necessidade de ter de estar mais atento ao jogo do que no passado, deixando Football Manager de ser o jogo perfeito para mergulhar quando estava a perseguir outras atividades, ou, simplesmente, à falta de novidades de relevo, que me fizessem ter aquela vontade de pegar numa equipe e conduzi-la à glória.

Porém, Football Manager 2019 é um caso diferente, já que a marca passou por um rebranding profundo do seu aspecto visual, conseguindo, ao mesmo tempo, integrar novidades suficientes para voltar a atrair os fãs, representando uma abordagem muito mais precisa às exigências da vida de um treinador de futebol, por mais que seja apenas de bancada. Havia já dito noutra análise a um jogo da franquia que a Sports Interactive optou, desde há muito tempo, por uma espécie de versão caseira do modelo "Tick-Tock" da Intel, que num ano traz uma versão mais ou menos revolucionária do simulador, para no próximo esses novos processos serem otimizados para trazer uma experiência mais diluída.

Citação: A SI traz para o terreno de jogo virtual as tão requisitadas alterações ao sistema de treinos e às táticas.


Com FM 2019, essa tendência parece confirmar-se, depois da versão 2017 nos ter oferecido um jogo com mais novidades, para, em 2018, afinar esses novos processos e trazer para o mercado as mesmas características, mas consideravelmente mais refinadas, para uma experiência superior e com maior integração no sistema de jogo. Este ano, o velho debate sobre a "legitimidade" de apresentar Football Manager como um jogo completamente novo parece ficar um pouco de lado, já que, finalmente, a SI traz para o terreno de jogo virtual as tão requisitadas alterações ao sistema de treinos, mas também algumas novidades relacionadas com as táticas que aproximam mais o simulador da realidade do futebol moderno.

No que aos treinos diz respeito, o sistema está agora bastante mais flexível e robusto, permitindo ao treinador (caso o deseje) um controle muito maior sobre a forma como os jogadores trabalham nos dias em que não há jogo. Agora, é possível criar cenários específicos para cada um dos setores da equipe, incluindo os guarda-redes, para que todos possam interpretar melhor a filosofia do treinador dentro das quatro linhas. Em vez de um treino diário podemos agora definir três sessões distintas, onde se trabalham zonas ou comportamentos específicos, tendo sempre em atenção as ações que desejamos dos atletas.



Um bom exemplo disso é a possibilidade de treinar mais os lances aéreos defensivos, que podem permitir que a nossa equipe admita mais cruzamentos para a área, tirando partido do treino intenso para aniquilar as intenções do adversário, incentivando-o a cruzar mais, na certeza que os nossos jogadores serão perfeitamente capazes de lidar com as mais variadas situações. Isto permite um controle mais granular das várias situações de jogo, nos oferecendo mais poder sobre a forma como condicionamos os oponentes, algo que se aproxima muito mais da realidade, uma versão virtual do "jogamos aquilo que o nosso adversário nos deixou jogar." Se é fã do contra-ataque, por exemplo, vai poder incutir essa filosofia nos seus jogadores, ensaiando várias formas de sair para o ataque quando recupera a posse de bola.

Confesso que nunca me senti tão atraído pelo controle das sessões de treino como este ano, tendo em conta que o que treina é refletido durante os jogos, mas sempre fui um pouco obcecado pelo aspecto tático, que apresenta agora opções mais realistas e a reformulação de algumas das estratégias pré-definidas. Em FM 2019, podemos decidir o comportamento da nossa equipe nas três fases distintas do jogo: quando estamos na posse da bola, nas transições e quando temos de correr atrás do adversário quando é este que tem a redondinha em seu poder. Só esta alteração torna o jogo muito mais atrativo, uma vez que podemos incutir efetivamente o nosso estilo de jogo em cada uma das fases.

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A forma como jogamos em posse, como procuramos recuperar a bola ou qual a melhor estratégia para subir no terreno depois de recuperar a posse se reflete de forma visível durante os jogos, não se tratando apenas de uma gimmick ou 'falso controle'. Quando decidir qual a estratégia mais adequada para a sua equipe, tendo sempre em consideração os jogadores que tem ao seu dispor, vai ver isso a se desenrolar durante as partidas, acabando com aquela sensação que sempre tive, de que era a qualidade (ou as características) dos jogadores que definiam o desenrolar dos jogos. Quantas vezes não usaste laterais ofensivos para os ver parar na linha de meio-campo? Em Football Manager 2019 isso já não acontece, para o bem ou para o mal, os jogadores (na maior parte das vezes) vão fazer exatamente aquilo que decidiu e treinou, nunca esquecendo que os seus movimentos dependem também da sua afinidade com a tática e com a sua capacidade de assimilação de conceitos.

Citação: Ainda não foi desta que conseguiram limpar o interface de utilizador...


A Sports Interactive afirma, a cada ano, que o jogo oferece "centenas" de inovações, mas estas duas são as mais relevantes para a edição deste ano, e devem marcar os próximos da franquia. Claro que existem outras novidades, como mais ferramentas para tentar contrariar a quantidade de informação inútil relacionada com a prospecção, por exemplo, mas a verdade é que ainda não foi desta que conseguiram limpar o interface de utilizador, que cada vez apresenta mais informações, dificultando a tarefa de discernir o que é importante, do que é acessório. Um bom exemplo disso é o feed de redes sociais, que sim, faz parte do mundo moderno, mas que pouco interesse tem para o jogador, especialmente na hora de decidir qual o onze adequado para enfrentar um determinado adversário ou qualquer outra decisão importante.

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O jogo continua, porém, a empurrar o jogador para uma alteração pontual da sua formação, assente no princípio de que cada adversário tem as suas particularidades. No entanto, já não obriga a uma alteração tática, algo que sempre me pareceu absurdo (quantas vezes um treinador da vida real muda de tática ao longo de uma época?), mas antes a um ajuste dos papéis dos jogadores em campo. Há jogos em que vai querer jogar com um trinco mais declarado, outros nos quais é perfeitamente legítimo jogar com dois médios de transição, mantendo o mesmo esquema tático. No entanto, como disse recentemente um treinador português, há que saber conviver com o insucesso, por isso se preparem para muita tentativa-erro.

Citação: Football Manager 2019 é talvez o jogo mais completo da série desde que passou de Championship Manager para Football Manager.


Tudo isto contribui para uma sensação de maior realismo, à qual não é alheia a implementação de alguns papéis que surgiram nos anos mais recentes, pelo menos de forma mais declarada, como o médio defensivo que recua para o meio dos centrais, permitindo lançar o ataque com os laterais mais abertos, só para dar um exemplo, um pouco à imagem daquilo que Jorge Jesus fazia no Benfica, e a que Rui Vitória continua a recorrer. Se a época não estiver a correr bem, ou depois de alguns resultados menos positivos, tenta alterar um pouco a função de alguns jogadores chave em campo e certamente verá alguma diferença. Interessante é ainda notar o maior peso das instruções dadas durante as partidas, com um efeito emocional visível nos jogadores, tal como quando vemos um treinador chamar um jogador à sua área de ação para lhe dar algumas instruções in-loco.

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Football Manager 2019 é talvez o jogo mais completo da série desde que passou de Championship Manager para Football Manager, criando, finalmente, o potencial para sentirmos que as nossas ações têm um efeito imediato no futebol praticado dentro das quatro linhas. Se estava à espera de um FM que valesse a pena não só pela atualização da [colossal] base de dados, a versão deste ano vale bem a pena, mais ainda se tiver um carinho especial pela Bundesliga, que pela primeira vez, é jogável (e completamente licenciada) na franquia.

Veredito

A cada ano que passa somos confrontados com a "legitimidade" da apresentação de mais uma iteração de FM como um jogo completo, mas a versão de 2019 oferece aos fãs algumas remodelações que tornam o jogo numa abordagem mais efetiva ao trabalho de um treinador de futebol. Apesar de cada vez ser apresentada ao utilizador uma quantidade de informação menos relevante, fazendo com que o simples ato de olhar para os menus seja avassalador, a versão 2019 oferece remodelações há muito exigidas aos treinos e às táticas, fazendo com que a sensação de realismo do simulador seja cada vez maior. Em 2019, chegou o melhor FM até à data, finalmente capaz de justificar o preço.

Citação: Football Manager 2019 permite uma melhor interpretação do futebol moderno.


Prós

  1. Reformulação do Sistema de Treinos
  2. Renovação das Táticas
  3. Bundesliga


Contras

  1. IU Cada Vez Mais Confuso

Fonte: Pt/Ign

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02 Nov, 2018 - 01:43

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