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Análise de Shadow of the Tomb Raider de Tribo Gamer

Será mesmo o jogo que define Lara Croft como prometeram?

Quando em 2013 a Crystal Dynamics lançou o reboot de Tomb Raider, deu início a uma nova trilogia de aventuras de Lara Croft, um trio de jogos definidos como "a trilogia de origem", indicando que mais trilogias se podem seguir. O jogo intermédio foi Rise of the Tomb Raider, um jogo de qualidade que melhorou e expandiu elementos do primeiro capítulo. Agora é a vez da conclusão com Shadow of the Tomb Raider.

Ao longo dos últimos meses, o estúdio, a editora, e a agressiva campanha de marketing, nos fizeram crer que Shadow of the Tomb Raider seria uma conclusão épica para a trilogia, uma aventura em que o risco e as consequências seriam mais graves que nunca. E sim, inicialmente é isso que o jogo transmite. Durante a primeira hora de jogo, como já foi divulgado pela editora, Lara Croft vai retirar uma adaga mítica de um templo, e com isso, dar início a um evento catastrófico.

Esta adaga é, como devem calcular, muito poderosa, e é alvo da cobiça da Trinity, o grupo de malfeitores que Lara Croft tem enfrentado nos últimos dois jogos. O grande vilão, desta vez, é o Doutor Pedro Dominguez, que deseja unir a adaga com outro objeto, uma fusão que, segundo a lenda, lhe permitirá dominar o mundo. É aqui que o jogo realmente começa, quando Lara Croft se despenha no Peru para tentar encontrar esse outro artefato antes de Dominguez e os seus soldados da Trinity.

Não vamos avançar muito mais em termos narrativos, mas ao contrário do que esta premissa, e os anúncio do estúdio podem sugerir, o jogo acaba por não ter assim tantas consequências, e mesmo o grande evento catastrófico do início, não é muito relevante para o esquema geral da aventura. A verdade é que, em termos gerais, pouco mudou. A experiência base continua a girar em torno de exploração, mortes furtivas, e recolha de recursos para evoluir a personagem e o seu equipamento.

Jonah, amigo de Lara Croft com um papel modesto no primeiro jogo, e maior destaque no segundo capítulo, recebe ainda mais atenção em Shadow of the Tomb Raider. Johan oferece a Lara um equilíbrio para a sua visão e as suas opiniões, e é também de grande ajuda em algumas situações sociais, algo em que Lara não está claramente à vontade. Vão visitar áreas habitadas em Shadow of the Tomb Raider, como Kuwaq Yaku e Paititi, a maior área central que já foi criada para um jogo da saga.

Quando chegarem a Paititi, o jogo vai abrir verdadeiramente, interrompendo a linearidade da história para que o jogador se possa concentrar em missões secundárias, interações com outras personagens, mercadores, e locais secretos. A questão é que nada disto é muito interessante ou emocionante, e embora a cidade em si seja agradável, nunca sentimos muita vontade de ficar, sobretudo quando as missões secundárias são tão banais em comparação com a história principal. Existem incentivos ao nível de recompensas e equipamento, mas ir buscar os dados perdidos de um rapaz, depois de uma conversa sem qualquer emotividade, não é exatamente interessante.

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Fora de Paititi, o jogo em si é relativamente linear, à semelhança dos jogos anteriores. Terão de caçar, melhorar equipamento, e combater de forma furtiva para sobreviverem. Isto, claro, enquanto saltam e trepam pelo mundo. A experiência nuclear é idêntica à dos dois jogos anteriores, embora existam algumas novidades.

Uma das principais é a mudança de localização, para uma selva sul-americana. O ambiente em si é mais sombrio, e permite novas abordagens ao nível de camuflagem, e mortes furtivas. Esta é a componente mais satisfatória da jogabilidade de Shadow of the Tomb Raider, sobretudo devido às ferramentas que terão ao nosso dispor. Agora podem cobrir Lara de lama, para que se misture com maior facilidade com o ambiente que a rodeia. O arco está também de volta, mas com novas flechas, incluindo uma que provoca raiva cega nos soltados inimigos.

Como o combate foi construído em cima do que foi feito nos jogos anteriores, surge em grande forma no novo jogo. Continua a ser emocionante conseguir eliminar um grupo de inimigos sem ser visto, sobretudo quando agora podem provocar ainda mais confusão e medo entre si. Nem sempre terão a possibilidade de passarem despercebidos, e quando o jogo exige que enfrentem outros adversários, terão à nossa disposição explosivos, caçadeiras, metralhadoras, e pistolas. Já vimos tudo isso nos jogos anteriores, mas continua a ser satisfatório.

Outra novidade é um foco muito maior na jogabilidade aquática, algo que nos deixou bem menos impressionados. Lara Croft já nadava desde o primeiro jogo, mas nunca achamos que essas seções fossem muito interessantes, e aqui também não o são. Os controles não são divertidos, as piranhas são chatas, e o design das seções aquáticas demonstra pouca criatividade, quer a nível de mapa e de estilo. Como os anteriores, Shadow of the Tomb Raider está recheado de perigos e armadilhas, que podem levar a mortes terríveis se o jogador não tiver cuidado.

Shadow of the Tomb Raider tem vários defeitos, mas o que nos terá desiludido mais terá sido a história, sobretudo porque parece ter sido apressada em alguns momentos. Existe uma ou outra seção interessante, mas estão algo desligadas do que é premissa geral da aventura, sobretudo quando o foco é o passado de Lara Croft. Nos parece que exista aqui potencial para que algo melhor e mais interessante tivesse sido feito, mas no fim, tudo se resume novamente a matar mauzões e a procurar artefatos antigos.

Como no passado, podem evoluir Lara Croft nos acampamentos, com os pontos de experiência ganhos com várias ações. Podem novamente escolher entre habilidade de sobrevivência, exploração, e combate, mas existem muitas opções, logo talvez seja boa ideia criar um plano para onde vão evoluir a personagem. Também podem procurar recursos, ou comprá-los nos mercadores, para criarem o vosso próprio equipamento. Ou seja, o sistema de evolução é idêntico aos dos anteriores.

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Os túmulos opcionais estão também de volta, áreas secretas focadas em puzzle e plataformas, com boas recompensas para o jogador. Gostamos da maioria, em sintonia com o resto do jogo - são sombrias e medo é um tema recorrente. Uma palavra também para os níveis de dificuldade, que podem ser ajustados de forma separada para exploração, combate, e puzzles, se quiserem um elemento mais difícil ou fácil que os restantes. Nós preferimos a experiência equilibrada.

A nível técnico, Shadow of the Tomb Raider será o mais impressionante da saga, com grandes vistas, florestas densas, cidades vivas, e templos perdidos. Gostamos de explorar estas novas localizações, com um tom muito diferente do que vimos nos dois jogos anteriores, e também apreciamos a interpretação dos atores - Camilla Luddington volta a ser uma boa Lara Croft, na terceira vez que assume o papel.

Nos prometeram-nos uma conclusão épica, algo que iria marcar a saga e Lara Croft, mas tudo o que encontramos foi 'mais um' jogo de Tomb Raider, e nem sequer o melhor. Se os fãs vão gostar? Sim, nós também gostamos da aventura no geral, mas não existem novidades suficientes para tornarem Shadow of the Tomb Raider um dos destaques do ano, e o maior culpado disso mesmo acaba por ser sobretudo a história.

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Prós

  1. Johan ganhou merecida importância.
  2. Túmulos são divertidos.
  3. Estrutura continua a funcionar.
  4. Jogabilidade furtiva é excelente.


Contras

  1. As consequências não têm o impacto prometido.
  2. Paititi não é interessante.
  3. Repete-se.
  4. Seções aquáticas não são boas.
  5. História apressada.

Fonte: Gamereactor

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10 Set, 2018 - 23:06

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