[ANÁLISE] Morder ou não morder, eis a questão. - Vampyr - Tribo Gamer
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6.0
Análise de Vampyr de Tribo Gamer

Morder ou não morder, eis a questão.

Vampyr é um RPG na terceira pessoa que transmite um delicado charme gótico, abordando temas como a morte através de vários dilemas morais. É um jogo ambicioso, dos criadores de Life is Strange e Remember Me, que tenta proporcionar escolhas interessantes ao jogador e um bom desafio no combate. É um jogo que tinha claramente muito potencial, que infelizmente não foi totalmente realizado pela Dontnod.

O jogo passa-se em Londres de 1919, numa altura em que a gripe espanhola está a devastar rapidamente a população. À epidemia histórica a Dontnod acrescentou a fantasia dos vampiros e do sobrenatural, colocando os jogadores no papel do Doutor Jonathan Reid. É um protagonista com um forte compasso moral, decidido a ajudar as vítimas da epidemia, mas tem um problema: foi transformado em vampiro, e agora tem de encontrar quem o transformou.

Reid, tal como o jogador, vai descobrir por si só quais são as fraquezas inerentes ao vampiros. Não sobrevive à luz solar, tem aversão a crucifixos, e não pode entrar numa propriedade a menos que seja convidado pelo dono. Reid é também bem-educado, intenso, e de temperamento difícil, elementos que dificultaram a nossa própria relação com a personagem.

Através da campanha vão visitar quatro distritos de Londres à procura de pistas sobre o 'criador' de Reid e de detalhes sobre a epidemia. Para se deslocar, Reid tem de atravessar ruas sombrias e esgotos cheios de monstros mortíferos, mas de forma algo surpreendente, Vampyr não tem qualquer mecânica furtiva no jogo - algo que nos parecia natural considerando a natureza vampírica da personagem.

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Vão encontrar quatro categorias de inimigos: Skal (vampiros dos esgotos), Vulkod (vampiros enormes), Ekon (vampiros sofisticados e ferozes), e Guards of Priwen (humanos caçadores de vampiros). Cada tipo de inimigo tem nas suas fileiras várias classes distintas, com habilidades diferentes, embora não tenha sido realmente necessário mudar de estratégia durante os combates.

As batalhas podem ser bastante desafiantes, sobretudo porque o combate exige excelente tempo de esquivo ao ataque inimigo, uma combinação de vários tipos de golpes, e ainda uma gestão cuidada de energia, saúde, e limites de sangue. Além de habilidades vampíricas, podem usar várias armas, incluindo machados, estacas, bastões, e até armas de fogo. As habilidades de vampiro gastam sangue, as armas requerem munições, e os ataques físicos exigem energia, o que obriga a alguma atenção a estes elementos. Reid é também algo frágil em comparação com os seus inimigos, morrendo com alguma facilidade.

A experiência de jogo não se limita ao combate. Por vezes têm de usar a visão de vampiro para seguirem traços de sangue ou procurar por pistas, num estilo semelhante a Batman: Arkham e Witcher 3, por exemplo. Também existem alguns puzzles para resolver, embora na nossa opinião pudessem ter sido um pouco mais exigentes e frequentes. Seja como for, são uma distração competente que não afeta o ritmo de jogo.

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Assumindo-se vincadamente como um RPG, não podiam faltar sistemas para melhorar a personagens e as armas, além de mecânicas para criar poções e outros itens. Tudo isso pode ser feito em áreas seguras que Reid consegue conquistar ao longo do jogo, mas este sistema de progressão levanta vários problemas. À medida que a estória avança, Reid começa a evoluir de forma mais lenta, e eventualmente acaba por ficar para trás em relação ao nível dos inimigos. Isto dificulta imenso o progresso no jogo, e levanta um dilema: continuar a sofrer de forma frustrante às mãos dos inimigos, ou abusar dos cidadãos que Reid jurou proteger, sugando-lhes o sangue para subir o seu próprio poder?

Em cada distrito vão encontrar várias personagens com quem podem interagir e dialogar, e muitas delas partilham algum tipo de ligação. Podem conversar com estas personagens para receberem mais contexto sobre o mundo, e até podem aprender detalhes importantes, mas a maioria destas personagens pode também ser uma vítima de Reid. Para isso precisam de a hipnotizar, o que não é um processo simples, já que requer uma boa relação com a personagem em questão. Têm de apelar às suas personalidades, aprender sobre o seu passado, e se necessário, curar-lhes de eventuais problemas de saúde que possam ter.

O poder extra que podem receber é evidente, o que aumenta a tentação de sugar o sangue às personagens, mas existem muitas questões associadas a isso. Quem deve ser poupado, e quem deve ser brutalizado? Quantas mortes são 'demais'? Estes são os dilemas no centro de Vampyr. Como não existem personagens 'aleatórias' no jogo, podem potencialmente matar quase todos os habitantes de um distrito.

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Um dos elementos mais desapontantes de Vampyr foi a estória. A Dontnod tenta equilibrar uma série de tópicos e ideias ao longo da narrativa, mas nem sempre o consegue fazer eficazmente. A nossa experiência, com as decisões que tomamos, é que o enredo de Vampyr tem imensos 'buracos' e algumas conclusões pouco satisfatórias, incluindo uma linha temporal inconsistente.

Também podem acrescentar o grafismo às falhas, embora aqui também existam alguns pontos positivos. O ambiente em si é interessante, graças a um bom sistema de iluminação e um design credível dos distritos, mas encontramos muitos mais defeitos que pontos positivos. Muitos modelos de personagens não foram bem trabalhados, existem transições bruscas de sequências e diálogos, animações estranhas, e problemas com texturas e luzes. E embora isso possa ser atribuído ao fato do jogo se passar durante a noite, Londres é uma cidade sem qualquer vida. Mais positivo é o lado sonoro do jogo, que beneficia de bons efeitos de som, interpretações de qualidade, e uma banda sonora capaz de acrescentar ao ambiente gótico.

Vampyr é um jogo problemático, que acaba por sofrer com o peso da sua própria ambição. Apresenta inúmeros sistemas, ideias originais, e um enredo com muitas variantes, mas depois não consegue ser realmente sólido em qualquer um desses campos. Isso não significa que seja um completo desperdício de tempo. O conflito moral de Reid é interessante, e o combate tem os seus bons momentos. Além disso, se gostam do tema de vampiros, existe muito para apreciar em Vampyr. Infelizmente não é um jogo de recomendação fácil, mas para um público específico, adeptos de RPG e de temas góticos, pode ser interessante.

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Prós

  1. Premissa interessante.
  2. Sistema de subida de nível é inventiva.
  3. Bom elemento sonoro, com banda sonora a condizer.


Contras

  1. Design geral não impressiona.
  2. Desempenho técnico abaixo da média.
  3. Recorre em demasia aos diálogos.

Fonte: Gamereactor

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05 Jun, 2018 - 16:26

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