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9.0
Análise de Pillars of Eternity II: Deadfire de Tribo Gamer

Uma sequência para quem ama o gênero RPG clássico.

O primeiro Pillars of Eternity conseguiu assumir-se como um excelente RPG, sobretudo dentro da estrutura mais clássica do gênero, um estilo próximo do que a Bioware fazia na década de 90. Trata-se de um RPG com perspetiva isométrica, onde controlam um grupo e não apenas uma personagem, com muitas opções de personalização, e o espírito de Dungeons & Dragons (embora sem ligação oficial). A nova aventura é uma continuação direta do jogo anterior, e começa logo com ação. Numa primeira fase vão recordar os eventos da aventura anterior, mas Pillars of Eternity 2: Deadfire é, na nossa opinião, uma sequela demasiado direta para ser considerada por quem não jogou ao antecessor.

Podemos desde já avançar que Pillars of Eternity 2 é um jogo superior em praticamente todos os campos, focado numa narrativa de grande qualidade que é alimentada por um mundo rico em detalhe, personagens, e eventos secundários. A estória em si, além de ser superior à do primeiro jogo, é contada de forma mais eficaz e elegante. Aqui já não existe a mesma necessidade de apresentar um mundo completamente novo, o que permitiu a equipe concentrar-se mais rapidamente em eventos importantes e batalhas épicas e ir direto ao assunto, basicamente. O objetivo desta jornada é o de encontrar e destruir uma estátua gigante que foi possuída por um deus, e que antes destes eventos, matou o jogador. Agora, ressuscitado, o jogador vai representar Berath, a deusa da morte e da reencarnação, e continuar a perseguir Eothas, deus que suga todas as almas na proximidade da estátua. É uma espécie de jogo do rato e do gato a uma escala épica, que além deste objetivo inclui ainda eventos como o nascimento de uma república no arquipélago de Deadfire.

Os princípios nucleares de Pillars of Eternity 2 são idênticos aos do primeiro jogo, mas existem várias mecânicas novas ou diferentes. O sistema de inventário está mais acessível e melhor estruturado, com uma divisão mais clara de áreas. Seja a gestão de itens, a consulta de atributos, ou a evolução de habilidades, tudo é feito num processo mais rápido e simples. Quando uma personagem sobe de nível têm acesso a uma árvore de habilidades, que mostra claramente como estão interligadas entre si. Existem também novos tipos de atributos, como história, religião, e conhecimento arcano, o que significa que embora seja mais simples, Pillars of Eternity 2 oferece ainda mais hipóteses de personalização aos jogadores. A mecânica de reputações e relações também foi alterada, permitindo perceber com maior clareza qual é o sentimento de cada facção e de cada personagem em relação ao protagonista.

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Tudo isto é também verdade para o sistema de combate, com uma disposição mais clara das barras de saúde e de mana. As habilidades são também mais evidentes, tal como o é o tempo de espera para que uma habilidade possa ser usada de novo, caso tenha 'cooldown'. As melhorias no combate não são apenas ao nível da interface, que continua a usar um estilo de jogabilidade em tempo real que permite pausar a ação para darem ordens às personagens. Apreciamos também a introdução de Power Leves, o que impede que as primeiras habilidades se tornem obsoletas com o progredir da aventura.

Tínhamos esperança que um dos pontos mais negativos do antecessor, a inteligência artificial, tivesse sido resolvido, mas esse defeito mantém-se na sequela. Personagens continuam a ficar presas no cenário e a tomarem percursos muito mais longos que o necessário para chegarem a um ponto, o que obriga uma constante micro-gestão do grupo. Isso seria natural para combates mais difíceis, mas não devia acontecer por incompetência da inteligência artificial.

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Se o seu comportamento nem sempre é o melhor, pelo menos as suas relações são fantásticas. O grupo de personagens é diverso e interessante, e além de interagirem imenso com o jogador, também o fazem bastante entre si. Uma grande novidade ao nível das personagens é a introdução de multi-classes, permitindo a cada membro do grupo assumir uma de duas classes, ou um misto de ambas. Se escolherem uma classe híbrida terão mais opções para evoluir a personagem, mas devem saber que isso também implica uma evolução mais lenta, e que nem todas as habilidades das duas classes estarão disponíveis neste formato híbrido.

Entre as novas mecânicas, a jogabilidade no mar estará entre as principais. Deadfire é um arquipélago, e para se deslocarem de ilha para ilha vão precisar de um barco. Terão acesso a um navio e uma tripulação, e se apreciam este tipo de tema, podem perder largas horas só à procura da melhor tripulação possível e de formas para evoluir o navio. O funcionamento lembra-nos de FTL, existindo uma micro-gestão de comida, bebida, munições, e habilidades da tripulação, mas podem ficar a saber que uma boa parte deste conteúdo é opcional.

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Esta componente naval também inclui combates, o que infelizmente nos leva a um dos pontos fracos desta sequela. Na nossa opinião estes combates tornam-se rapidamente monótonos, funcionado como uma espécie de batalhas por turnos em que escolhem ilustrações de ataques. Basicamente estão a carregar em botões para verem slides de batalhas navais, o que se torna cansativo e aborrecido. Pelo menos existe a opção para subir a bordo de navios inimigos, e aqui o combate assume uma postura mais familiar, mas também desafiante, com grandes números de oponentes sempre a cercarem o grupo do jogador. Em resumo, apreciamos que a Obsidian tenha tentado criar algo de novo para a sequela, mas passávamos bem sem as batalhas navais como elas estão neste momento.

O mundo de jogo apresenta estas e outras mudanças, sendo bem mais amplo e solto que no jogo anterior. Os fãs de um design mais direto e linear, como no anterior, podem não apreciar esta mudança, mas pelo menos existem muitas áreas fechadas e masmorras para explorar. De resto, o mundo de Pillars of Eternity 2 é fantástico, e merece uma visita cuidada por parte do jogador.

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Uma palavra ainda para a banda sonora de Pillars of Eternity 2, a cargo de Justin Bell. É uma banda sonora inspirada pelo que se fez no passado do gênero, mas que apesar de um tons clássicos, representa bem a natureza exótica de Deadfire. É uma banda sonora épica, mas também mexida, com um ritmo mais elevado que o jogo anterior.

Pillars of Eternity 2: Deadfire é um exercício de confiança da Obsidian, que nasce a partir do jogo anterior, e que oferece uma experiência RPG de grande qualidade - mesmo com três expansões já planeadas, existe aqui conteúdo que parece nunca mais acabar. Salvo uma ou outra exceção, todas as áreas de jogo foram melhoradas, algumas em grande medida. Em conjunto com Divinity: Original Sin II, Pillars of Eternity 2: Deadfire é uma das melhores experiências RPG - no verdadeiro sentido do gênero - existentes no mercado.

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Prós

  1. Mecânicas de jogo melhoradas.
  2. Narrativa épica.
  3. Mundo de jogo entusiasmante.
  4. Mistura vários gêneros.
  5. Muita profundidade.


Contras

  1. As batalhas navais são aborrecidas.
  2. Inteligência artificial ainda tem defeitos.

Fonte: Gamereactor

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24 Mai, 2018 - 03:38

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