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Análise de Shadow of the Colossus Remake de Tribo Gamer

Revigorado e reconstruído, Shadow of the Colossus vence o teste do tempo.

Quando um jogo como Shadow of the Colossus é revisitado, o maior desafio que se coloca aos seus curadores é encontrar o equilíbrio entre o que deve ser atualizado, e o que deve permanecer idêntico à experiência original. Foi esse o desafio que se colocou perante a Bluepoint Games, um estúdio que tem encontrado o seu espaço na indústria pela forma como tem tratado das atualizações aos jogos de outras produtoras. Entre os seus trabalhos está a coleção de Ico e Shadow of the Colossus para PlayStation 3, dois clássicos da Team Ico que foram lançados originalmente no PS2. Os dois jogos foram atualizados, mas eram virtualmente idênticos à experiência original, ao contrário do que foi feito com este Shadow of the Colossus de PS4, reconstruído de raiz.

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A diferença é imediatamente evidente, logo através da espetacular introdução. Todo o grafismo foi refeito, e Shadow of the Colossus de PS4 apresenta-se como um jogo perfeitamente moderno ao nível gráfico. O original era já extremamente inspirado, e levava o PS2 ao máximo das suas capacidades. Essa arte e esse ambiente ganharam nova vida com esta versão, e o resultado é uma maravilha visual. Em termos de espaço, é um mundo muito mais vazio do que podem encontrar em jogos modernos, mas o original era assim, e assim se manteve para a nova versão.

O conceito e a experiência é exatamente a mesma. Vão assumir o papel de Wander, um protagonista estóico de poucas palavras, que viajou até uma terra proibida para ressuscitar o seu amor, Mono. Para conseguir esse feito, Wander é informado de que precisa de derrotar 16 colossos escondidos nestas terras proibidas. Equipado com um arco e uma espada, na companhia da égua Agro, Wander parte na sua aventura épica em nome do armor que o liga a Mono.

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Devem percorrer o mundo à procura destes colossos, usado a luz que emana da vossa espada como farol. Quando eventualmente encontrarem o colosso, terão de o derrubar num misto de plataformas com puzzles, para de seguida serem transportados de volta ao santuário central para iniciarem novo ciclo. É um conceito simples, muito focado, o que honestamente soube bem dentro do conceito atual dos videojogos. Com mundos cada vez maiores, repletos de possibilidades, objetivos secundários, e conteúdo que nunca mais acaba, soube bem atravessar uma aventura tão focada e simples como a de Shadow of the Colossus. Existe uma missão, um objetivo, e as distrações para o conseguirem são mínimas.

Não existem outros inimigos no mundo, ou personagens para encontrarem - apenas Wander, Agro, e os colossus. Pelo meio podem procurar por árvores que carregam frutos, lagartos com caudas brilhantes, e pequenos altares. Os frutos aumentam permanentemente a vossa saúde, enquanto que os lagartos fazem o mesmo com a energia necessária para se agarrarem aos colossos. Quanto aos altares, funcionam como pontos de checkpoint, onde irão acordar caso percam a vida.

Cada colosso é um puzzle que têm de resolver, e surgem em várias formas e tamanhos. Alguns são absolutamente massivos, enquanto que outros são mais pequenos mas ferozes. Outros voam, enquanto que alguns se escondem na areia ou na água. Independentemente do tamanho e da forma, o primeiro desafio que se coloca ao jogador é perceber onde são os seus pontos fracos (só podem danificar os colossos em pontos específicos), e depois têm de encontrar uma forma de chegar a esses pontos. Se estiver tendo dificuldades, o jogo irá oferecer pequenas dicas, mas nunca de forma a entregar completamente a solução ao jogador.

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Descobrir o que é necessário fazer não é o fim do desafio - depois têm de executar o plano. Isso requer, quase sempre, trepar o colosso agarrado ao seu pêlo, mas não esperem que o colosso fique sossegado enquanto tentam matá-lo. Irá abanar e tentar atirar Wander para fora do seu corpo, mas só o conseguirá se a nossa barra de energia se esgotar. Raramente terão a oportunidade de matar um colosso só de uma vez, e normalmente terão de ter em conta a nossa energia, o que implica encontrar locais no colosso onde possam descansar de forma a restaurar a energia. Cada colosso é diferente, mas a premissa em si é idêntica para todos.

É uma estrutura repetitiva, mas que nunca se tornou aborrecida. O facto de cada colosso ser o seu próprio puzzle, e de cada um permitir visitar uma área de jogo diferente, manteve a experiência sempre fresca ao longo das seis a sete horas que dura a campanha. A qualidade visual deste mundo também ajuda, recheada de grande detalhe, excelente iluminação, e de um design extremamente inspirado. É um mundo massivo, e em comparação, Agro e Wander são minúsculos. A sua escada é de tal forma imponente que cria um misto de admiração com humildade, uma terra mágica que beneficia de uma atmosfera que poucos jogos conseguiram igualar. Tudo isto acompanhado de uma banda sonora magistral e de excelentes efeitos sonoros, como o vento, e os animais.

Adorámos revisitar Shadow of the Colossus, e graficamente é de facto um feito notável, mas esta atualização não é perfeita. Enquanto o grafismo foi atualizado, a jogabilidade em si é virtualmente idêntica à original. Existem novos esquemas de controles, modernizados em relação à versão original (que também está disponível), mas a jogabilidade em si é igual - o que não é totalmente positivo. Percebemos que a Bluepoint optou por manter-se fiel ao original, mas apesar de tudo o que o Shadow of the Colossus tinha de magnífico, tinha também as suas falhas, e essas mantém-se nesta versão.

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A câmara de jogo será o elemento mais problemático, já que parece ter vida própria. Normalmente parece mais interessada em mostrar ângulos específicos e grandes vistas, do que necessariamente em seguir as instruções do jogador, o que obriga a uma luta constante. Chegamos a falhar saltos onde o culpado foi definitivamente a câmara, o que causou alguns momentos de frustração. As animações, bastante fluídas na altura, são datadas para os tempos modernos, e isso nota-se sobretudo quando Wander está a escalar os colossos e a ser abanado em todas as direções. Os controles são também menos fluídos do que gostaríamos, e nem sempre respondem como desejado, sobretudo quando estão a controlar agro. Outro problema é o tempo de resposta de Wander quando é derrubado por um colosso. Durante vários segundos, Wander não se mexe, e quando o consegue fazer novamente, o mais provável é que seja atingido novamente. Uma palavra ainda para a localização portuguesa. Nem sempre faz grande sentido, mas a culpa será mais da origem arcaica e enigmática da versão original, do que necessariamente da tradução em si.

Quando derrubarem os 16 colossos, vão desbloquear algumas opções extra. Podem recomeçar a aventura em New Game+, e desafiar os colossos em modo contra-relógio, e ainda existem vários segredos e máscaras para desbloquearem. Também podem apreciar vários ficheiros extra, com arte do jogo e imagens que comparam o original com a nova versão. Se tiverem um PS4 Pro, também podem desfrutar da experiência através de várias opções, incluindo um modo constante a 60 frames for segundo, ou uma resolução 4K. Ah, e ainda existe o inevitável modo de fotografia, que parece ser obrigatório em todos os exclusivos da Sony - e oportunidades para tirar grandes fotos não faltam.

Respeitamos por completo o trabalho e a visão da Team Ico, que lançaram um jogo magnífico em 2005, mas o trabalho da Bluepoint neste remake também deve ser apreciado. Sentimentalismos à parte, esta é a melhor versão de Shadow of the Colossus. É absolutamente linda, totalmente modernizada, mas sem perder o encanto e a beleza artística original. Tem os seus problemas, e os seus elementos datados, mas é uma experiência que vale muito a pena revisitar, ou jogar pela primeira vez, e não apenas por motivos de nostalgia. Shadow of the Colossus no PS4 é um jogo de grande qualidade por direito próprio, e se nunca o jogaram, devem acrescentá-lo à vossa lista rapidamente.

Pontos positivos

  1. Visualmente é imponente e impressionante.
  2. Envelheceu bem graças a excelente design.
  3. É aventura muito focada.


Pontos negativos

  1. Luta constante com a câmara.
  2. Animações datadas.
  3. Controles podiam ser melhores.

Fonte: Gamereactor

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30 Jan, 2018 - 23:54

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