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Análise de Need for Speed Payback de Uol Jogos

Apoiado em clichês, "Need for Speed Payback" diverte por tempo limitado

Em mais de 20 anos de existência, a série "Need for Speed" oscilou entre momentos ótimos e edições que os fãs nem curtem lembrar. É algo natural, tanto pela sua longevidade quanto pelas constantes trocas de produtoras responsáveis por entregar os mais de 20 títulos já lançados dentro da franquia.

A responsável da vez é a Ghost, estúdio sueco (ex-EA Gothenburg) que trabalha na série desde "Need for Speed Rivals" - quando fez dobradinha com a competentíssima Criterion. "Rivals", que marcou a estreia de "Need for Speed" na atual geração de consoles, pode ser facilmente lembrado como o último grande jogo da série. Especialmente se considerarmos o desastrado "Need for Speed" de 2015.

E então chegamos em 2017 e temos "Need for Speed Payback". Segundo game da franquia feito totalmente pela Ghost, "Payback" tem a difícil missão de resgatar a relevância da série diante de rivais do nível de "Forza Horizon". E nessa treta, já adiantamos: se "Payback" ainda deixa a desejar diante da concorrência e também de episódios da série como o último "Most Wanted", o game ao menos supera com facilidade seu antecessor mais imediato.

Vingança em alta velocidade

O subtítulo "Payback" diz muito sobre praticamente tudo que acontece nesse novo "Need for Speed". O jogador controla um trio de protagonistas composto por Tyler "Ty" Morgan, Jessica "Jess" Miller e Sean "Mac" McAlister, que foram traídos por Lina Moretti durante um roubo de carro e acabaram tendo que sair da cidade por um tempo.

Lina, no caso, trabalha para uma organização chamada "A Casa", que comanda o submundo de Silver Rock, cidade fictícia onde se passa o game - um cenário aberto composto por diversos quilômetros de estradas e claramente inspirado por Las Vegas (EUA). É claro que, depois de um tempo, Ty, Jess e Mac se reúnem com o óbvio intuito de se vingarem dessa organização.

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É uma trama clichê no melhor estilo "Velozes e Furiosos", mas que acaba funcionando bem no jogo justamente por deixar claro desde o início que não possui grandes pretensões - não espere personagens marcantes ou atuações dignas de Oscar. No final, o jogador acabará progredindo no game de maneira natural, curioso para saber o que vai acontecer.

O game foi avaliado no PlayStation 4
Esse "meio do caminho" envolve a participação em ligas de corridas, sendo que há, basicamente, cinco tipos de desafios: corridas de velocidade (que podem acontecer em circuitos ou ponto a ponto), corridas off-road (no mesmo esquema da anterior), provas de drift por pontuação, corridas de arrancada (aqui, uma boa referência à série "Underground") e missões de fuga da polícia (envolvendo chegar a um ponto ou, ainda, fazer entregas em locais específicos).

Cada personagem é responsável por estilos específicos de pilotagem. Ty fica com as corridas de velocidade e arrancada, Jess é a piloto de fuga e Mac é o cara do off-road e do drift. E cada um desses estilos envolve carros personalizados especificamente para a função.

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As missões de história aparecem uma vez que o jogador termina um determinado número de corridas. Em geral, são objetivos maiores e em tom cinematográfico, lembrando vagamente os assaltos de "GTA V" - só que em versão automotiva. Espere perseguições alucinantes e divertidas, mesmo que os melhores momentos dessa parte ocorram apenas em cenas não-interativas.

Além disso, há o modo multiplayer, que reúne jogadores nas chamadas "Speedlists": pequenos campeonatos com corridas divididas de acordo com as especializações do game. Aqui, vale um alerta: há uma forte tendência de partidas serem desequilibradas. Isso porque, ao menos durante o período de teste, não havia qualquer maneira de equilibrar o desempenho dos carros utilizados.

Personalização limitada

A lista de carros de "Need for Speed Payback" envolve quase 80 modelos, cobrindo uma boa variedade de épocas e estilos. Alguns deles só podem ser usados em modalidades específicas, sendo que cinco precisam ser encontrados desmontados no mapa e, uma vez que tenham suas peças coletadas, podem ser montados para qualquer uma das categorias de corridas do game.

Os carros podem ser comprados com dinheiro obtido de corridas e há revendas espalhadas pelo mapa (felizmente, é possível viajar até elas e outras lojas do jogo com o toque de um botão), cada uma especializada em modalidades específicas do game. Uma vez em sua garagem, o jogador pode personalizar o visual de cada modelo ou levá-los até uma loja de autopeças para melhorar seu desempenho.

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E é aí que "Payback" apresenta o seu ponto mais fraco: a personalização visual não está aberta logo de cara e depende do jogador atingir determinadas marcas no jogo, como obter pontuações altas em saltos e drifts, vencer disputas contra corredores espalhados pelo mapa ou adquirir quilometragem. Isso significa que demorará um pouco até que você possa deixar o seu carro preferido do jeito que você quer - e, ainda assim, as opções para mudar o visual são limitadas se compararmos com outros games da série.

A melhoria de desempenho é ainda mais frustrante: ela ocorre por meio das Speed Cards, cartas que aprimoram de maneira genérica determinados aspectos de um carro. Cada veículo pode alocar até seis delas, e equipar três ou seis cartas da mesma marca concede um bônus dos atributos. Elas podem ser compradas em lojas de autopeças (cujo estoque varia de tempos em tempos), desmontadas (ao fazer isso com três delas o jogador pode obter uma nova escolhendo um de seus atributos), obtidas após corridas ou, ainda, em remessas que o jogo dá de tempos em tempos ou quando se sobe de nível.

O problema disso tudo é que quem curtia uma "tunagem" mais detalhista ou carros com comportamentos distintos vai ficar na mão. Dentro de uma mesma categoria, o jogador só vai perceber que um carro é mais rápido do que o outro, mas sem saber se isso é resultado de um motor mais forte ou de uma dirigibilidade melhor. No final das contas, a impressão que se tem - salvo raríssimas exceções - é que você gastou uma grana dentro do jogo apenas para comprar uma versão mais rápida e com carroceria diferente de um carro que você já tinha.

ImagemAinda é possível personalizar o exterior dos carros, mas opções são limitadas; inspirada em Las Vegas, cidade de Silver Rock tem ruas pouco movimentadas na maioria do tempo


Tecnicamente mediano

Se "Need for Speed Payback" não é o suprassumo de sua categoria em praticamente todos os aspectos, é difícil apontar algum defeito gritante. A jogabilidade é competente, ainda que não tenha qualquer inovação nesse ponto. O mesmo vale para o visual e o som: não encantam, mas também não comprometem.

Há alguns bugs, como texturas e partes do cenário que só aparecem quando o jogador se aproxima e corredores e motoristas controlados pela inteligência artificial que, vez ou outra, acabam tendo atitudes estranhas, como ficar presos em elementos do cenário.

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O game traz um ciclo de dia e noite, mas sem alterações climáticas. Há de se ponderar que, no segundo caso, uma justificativa seria o fato de Silver Rock estar, em boa parte, situada em um deserto. Ainda assim, há porções do mapa com florestas, o que faz a ausência de chuva parecer mais uma deficiência técnica da Ghost do que, propriamente, uma escolha por motivos de caracterização do lugar.

Por fim, falta vida para Silver Rock. O jogador vai cruzar com carros circulando as ruas e estradas do game, mas essas vias, em geral, parecem mais vazias do que deveriam ser. Outra cena rara vista por quem jogar será a presença de seres humanos nos cenários. Eles não precisariam aparecer circulando pelas calçadas sob o risco de serem atropelados, mas poderiam, por exemplo, estar atrás de cercas ou lugares seguros.

Uma série que precisa ousar

"Need for Speed Payback" representa uma evolução em relação ao game de 2015, por mais que tenha deixado de lado alguns aspectos bacanas do antecessor, como a presença de personagens reais da cultura automotiva.

ImagemMapa do game é vasto, com quilômetros e mais quilômetros de estradas para serem explorados; há vários colecionáveis espalhados por Silver Rock


Algumas escolhas da produtora Ghost, especialmente no que diz respeito à personalização e aprimoramento dos carros, acabaram passando longe do ideal - uma boa olhada no histórico da série bastaria para fazer algo que agradasse mais aos jogadores. A história, apesar de não comprometer, poderia trazer momentos mais marcantes, que trouxessem eventuais novidades ao gameplay do jogo.

Dentro de suas limitações, "Payback" consegue divertir, algo que é importante, mas não aparenta ser um game muito longevo. Diante disso, a impressão que fica é que ainda falta muito chão e muita ousadia para a série voltar a ser referência na categoria de games de corrida arcade.

Fonte: Jogos/Uol

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10 Nov, 2017 - 09:33

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