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7.5
Análise de Yakuza 0 de Eurogamer

O incorruptível

Este é simplesmente o melhor jogo da série até à data. Distinto, difícil, com uma história profunda e incrível. A SEGA conseguiu superar-se.

Depois de uma espera de quase dois anos, a SEGA apresenta finalmente Yakuza Zero para incendiar essa tua alma que sedenta de paixão pelas experiências repletas com sabor nipónico. Com dez anos de existência completados em Setembro de 2016, na Europa pelo menos, esta série Japonesa continua igual a si mesma, mas a equipe liderada por Toshihiro Nagoshi faz desse um motivo de orgulho, afinal de contas, Yakuza é primeiramente feito para agradar ao gosto dos Japoneses. É precisamente por isso que os fãs da série a adoram. Mantendo-se fiel aos seus valores, com continuas novidades e refinamentos, a série Yakuza encontrou o seu expoente máximo com este sexto jogo. Sempre focado em uma intensa narrativa e drama, combates brutais com golpes altamente violentos para acabar com os adversários, e na exploração de pequenos mundos abertos, é fascinante descobrir que Yakuza está melhor do que nunca.

Yakuza nasceu como um jogo de ação e aventura com alguns elementos RPG, possuindo três pilares distintos em sua essência: eventos, aventura e batalhas. Até o dia de hoje permanecem como os pilares principais da série. Talvez por isso mesmo seja tão agradável descobrir que Yakuza não mudou muito, apesar de evoluir visivelmente, e sentirá o incrível prazer em descobrir que Yakuza Zero leva a novos patamares todos esses princípios que te apaixonaram ao longo destes dez anos. A história de Yakuza Zero está entre as mais intensas e cativantes da série, a par de Yakuza 2, a exploração dos locais ganhou mais vida com os mini-jogos e histórias secundárias, e também o sistema de combate foi reforçado com diferentes estilos de luta. Tudo para acrescentar mais camadas à profundidade que envolve a experiência de Yakuza.

Kazuma Kiryu, o fantástico protagonista principal da série, continua a ser o nosso elo de ligação a este mundo. O homem com mais estilo no Japão é a nossa porta de entrada numa Kamurocho em 1988, numa altura em que a economia Japonesa desfrutava de um fortça e de um crescimento sustentável. Sendo este um jogo na série Yakuza, rapidamente os acontecimentos que até então pareciam casuais e sem consequência provam estar na origem de inesperadas situações que envolvem todos à volta de Kazuma. A história de Yakuza sempre foi um dos seus maiores valores, e a SEGA glorifica de incrível forma este elemento em Yakuza Zero. Envolvente, electrizante, intenso e violento, nos pega com uma força que atesta todos os seus méritos. A linha narrativa é coesa, profunda, e mais parece que estamos a assistindo um filme excelente.

Para muitos, passar quase 15 minutos assistindo uma sequências pré-renderizadas ou diálogos não é muito interessante, mas numa era em que tantas séries sofrem com problemas de identidade, não posso deixar de louvar a SEGA por manter o carisma e forças da série Yakuza. Não é por teimosia, é mesmo porque é do melhor que esta série tem para oferecer. Quando não acompanha Kazuma em Tóquio, o jogo transporta-te para Sotenbori, em Osaka, onde irá assistir a um outro lado dos eventos através da perspectiva de Goro Majima, outra adorada figura da série. Tendo em conta que o jogo decorre em 1988, assistir uma história tão envolvente numa versão diferente dos locais que já visitou em outros jogos da série, é um belo incentivo. Os loucos anos 80 servem como palco para uma história adulta, madura, com duas perspectivas que nada parecem ter em comum, mas que se vão cruzar de forma espantosa.




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Se a SEGA glorifica a essência de Yakuza com uma fantástica história nesse sequência, também beneficia a exploração com a versão para o PlayStation 4. Apesar do jogo já ter dois anos, e de ter sido feito como um jogo para duas gerações de consoles, Yakuza Zero revela várias melhorias na fórmula da SEGA, e se a narrativa conquista maior impacto graças aos visuais melhorados, também a exploração se torna mais divertida e gratificante. Explorar Kamurocho e Sotenbori é mais gratificante do que nunca, não só graças ao visual fantástico (apesar de haver alguns elementos gráficos com uma qualidade menor), mas também devido à fluidez e a ausência de interrupções no percorrer dos locais. Apesar dos locais serem relativamente pequenos quando comparados com as cidades completas dos jogos de mundo aberto Ocidentais, são locais com um bom tamanho e repletos de vida. Ao passear pelos dois locais inundados de néon e altamente atmosféricos, com suas características peculiarmente Japonesas, é transportado com facilidade para o mundo de jogo, e Yakuza Zero desfruta de uma boa sensação de imersão.

Existem poucos loadings no jogo, e os que existem são breves, e as transições entre a exploração e as batalhas está melhor do que nunca. Ao encontrar os habituais adversários, seus nomes deles surgem na tela e em questão de segundos a batalha tem inicio. Aqui conhecerá outro dos pilares fundamentais da série Yakuza, que para muitos é uma espécie de sucessora espiritual de Shenmue, ou então uma espécie de GTA Japonês. Pessoalmente, acredito que Yakuza é algo mais singular. Os combates de Yakuza são furiosos e dinâmicos, na dificuldade Normal podem tornar-se frustrantes e sentirá ainda sim momentos de grande dificuldade. Algo que torna o jogo inconsistente sem qualquer necessidade. Mas quando é justamente durante o combate, que temos a oportunidade de ver Kazuma no seu melhor desempenho. Mesmo que isto seja no início da sua atividade como Yakuza, antes da tatuagem nas costas estar pronta, antes de ser o Dragão de Dojima, ele já era aquela figura incorruptível e devastadora que conhecem.

Para aprofundar os combates, a SEGA introduziu diferentes estilos para Kazuma e Majima, podendo alternar entre eles em tempo real no meio das batalhas, e esses alteram por completo a velocidade e movimentos executados. Seja um estilo mais agressivo focado na força bruta (Majima se utiliza de um bastão), um estilo mais solto e veloz, ou um estilo de luta de rua, tem ao seu dispor diferentes posturas de combate entre as quais precisa alternar dependendo da situação, do número de inimigos, ou do boss que está que enfrentara. Acredito que ira precisar comprar muitos Toughness Z para os Salve Game em meio a muitas batalhas brutais. O uso de diferentes objetos espalhados pelos cenários permite interromper os combos mais agressivos, mas são os golpes finais muito violentos que vão deixar absorto. Basta visualizar Kazuma espetando uma bicicleta na cabeça de um adversário e depois saltar sobre ela assim partindo juntamente com o que restava das costelas do oponente para ter uma ideia do quão espetacular e violento isto fica.




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A história de Yakuza Zero consegue facilmente impressionar não só pelo carisma de seus personagens e acontecimentos, mas também graças aos gráficos. Apesar de alguns elementos revelarem que o motor gráfico nasceu na geração anterior, a grande maioria do visual está pronta para impressionar. Especialmente naqueles momentos intensos onde as sequências pré-renderizadas que utilizam o motor de jogo dão fluidez de movimento o que gera autenticidade aos personagens, que além dos visuais impressionantes revelam bem a entrega e dedicação dos atores Japoneses. Yakuza Zero é um dos jogos mais impressionantes, em termos gráficos, que vi até o presente no PlayStation 4, e a história beneficia imensamente esta qualidade. Apesar de alguns cenários e texturas possuírem uma qualidade mais baixa, no geral, a atmosfera dos locais e a imersão neles apenas é possível graças a este belo visual.

Yakuza Zero é um jogo no qual passará mais de 60 horas, especialmente se permitir seduzir por Kamurocho e Sotenbori e assim despertar o desejo de explorar todos os seus cantos, descobrindo as mais surreais histórias opcionais. O Japão dos anos 80 é verdadeiramente deslumbrante e em alguns momentos sentirá que só falta o cheiro para uma imersão total. Quando tiveres acesso à gestão imobiliária com Kazuma e à gestão de um Cabaret com Majima, passará a maior parte do tempo a administrando cada negócio e não a seguir a história. A longevidade do jogo cresce imensamente e de uma forma natural, uma vez que sentes que investir nestes elementos opcionais te permite melhorar os personagens e até presenciar os momentos incríveis neste mundo. Yakuza Zero é um jogo imersivo no qual o tempo passa sem nenhum esforço.

A SEGA conseguiu apresentar aquele que é provavelmente o melhor jogo na série. A cada sequência, a série Yakuza recebeu novidades e mecânicas de jogo que diversificaram o gameplay, mas a história, Kazuma e os combates permaneceram sempre como os seus principais valores. Neste Yakuza Zero, a companhia Japonesa revela estar mais focada do que nunca e apresenta-nos uma história fantástica, profunda e envolvente, repleta de momentos que nos fazem vibrar e relembram porque se apaixonou por ele ainda no PS2. Os combates estão mais profundos e diversificados, e tudo o que diz respeito ao mundo do jogo foi elevado a um novo patamar. Temos inúmeras atividades extras, temos gráficos espetaculares, e temos um Yakuza sério. Peca somente por ainda mostrar que não deu o salto completo em relação à anterior geração.

Fonte: Eurogamer

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20 Jan, 2017 - 15:25

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